Será que não foi cedo?

Estreou ontem, após o jogo do Campeonato Brasileiro, na Band, o programa “Agora é Tarde”, sonho de consumo de Danilo Gentili, humorista do CQC e stand up. No primeiro programa, por ser uma estréia tão aguardada, atenção em tudo. A atração, divulgada inicialmente como um talk show, teve um pouco disso, mas não diria que seria sua categoria televisiva. Está mais para um entretenimento mesmo. Puro e simples.

 Gentili estava um pouco nervoso (apesar de não ser ao vivo, o programa é gravado no dia em que é exibido) mas seu estilo despojado na linguagem tendem a fluir melhor o programa. A banda Ultraje a Rigor dá o tom do programa. Entre 45 e 50 minutos de exibição, o espaço dos comediantes Marcelo Mansfield, Murilo Couto e Leo Lins ainda é restrito, mas o quadro apresentando por Murilo Couto, Pequenos Gestos, foi interessante.

 Na estréia, o convidado do Agora é Tarde foi Marcelo Adnet, humorista da MTV e que é o “queridinho” da mídia ultimamente. Com boas tiradas, Adnet e Gentili, apesar de uma falta de rirmo, natural pela estréia, tiveram bons momentos. Agora, tivemos notícias de tantos pilotos produzidos, e porque não arrumaram o básico, como o péssimo áudio do programa todo, principalmente do apresentador. Parece que, na Band, o mundo iria se acabar se não estreasse o programa ontem.

 Não é o melhor programa do mundo, mas ajustando uma coisa aqui e ali, “Agora é tarde” tem tudo para se consolidar na grade da Band, diferente do péssimo desde a estréia, O Formigueiro, do CQC Marco Luque.

O quê: Agora é tarde, com Danilo Gentili

Onde: Na Band

Quando: Quartas e Quinta às 23h45

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As mulheres no poder


Talvez esse texto deve-se ser escrito no dia 8 do mês passado, mas ainda assim, eu tenho certeza que é atual. Hoje, ao me dirigir ao trabalho, tive uma curiosa surpresa. A anos que pego a mesma linha de ônibus e, pela primeira vez, sou recebido por uma motorista mulher. Para muitos, pode ser que isso não seja mais uma novidade. Mas para mim, foi. Já tinha visto mulheres cobradoras, por exemplo, mas motorista de ônibus, nunca. Sentei no meu lugar e fui, estrada a fora, refletido sobre o caso.

O pensamento é conveniente. Ontem, foi escolhido o novo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma entidade importante para a economia mundial. Para surpresa de todos, foi escolhida uma mulher, a primeira no principal cargo do órgão – a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde. Eleita por unanimidade, ela assumirá a cadeira no próximo dia 5 no lugar do também francês Dominique Strauss-Kahn, que renunciou após envolvimento em um escândalo sexual em Nova York, no qual foi acusado de atacar uma camareira de hotel.

Com isso, comecei a discorrer sobre outras mulheres que alcançaram pela primeira vez um posto onde os homens dominavam. Sendo assim, lembrei logo de nossa atual presidente: Dilma Vana Rousseff. Ela foi a primeira mulher a assumir o cargo máximo da administração brasileira. Mas esta não foi a única barreira vencida por ela. Inexperiente nas urnas, ela bateu José Serra, ex-secretário de estado, ex-deputado, ex-senador, ex-ministro, ex-prefeito e ex-governador. A vitória de Dilma mostrou que o povo confia na força feminina para guiar o Brasil nos próximos anos, uma vitória iniciada no distante ano de 1933, com a eleição da Paulista Carlota Pereira de Queiroz, a primeira mulher na Assembleia Constituinte.

Tudo isso, é fruto da luta feminista pela igualdade de direitos entre os gêneros, principiada no século XIX, e que está dando sólidos frutos nos dias de hoje. As mulheres não são mais coadjuvantes e sim protagonista. Elas tem conseguido desempenhar com maestria os cargos onde há alguns anos só víamos homens. Vemos mulheres em todos os níveis, dos cargos superiores aos mais baixos, seja na âmbito público ou privado. Se você não tem uma chefe mulher, prepare-se: um dia você virá a ter. Afinal, a igualdade entre os gêneros é sim uma realidade.

Christine Lagarde afirmou que seus objetivos à frente do FMI será manter o órgão com os mesmos foco e espírito do passado, buscando o “crescimento mais forte e sustentável” e a “estabilidade macroeconômica”. Logo de início, ela terá o desafio de solucionar uma pedreira chamada Grécia. O endividamento do país já atingiu quase 150% do PIB (Produto Interno Bruto), e com sérias possibilidades de calote. Se depender da força da mulher, alguém duvida que ela consiga?

 

Vôo United 93

Você se lembra onde estava na manhã do dia 11 de setembro de 2001? Eu estava acordando quando ouvi a música do plantão e a Sandra Annemberg anunciando que os EUA estavam sendo atacados por terroristas que jogaram um avião contra uma das Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York. Vi, ao vivo, e estarrecido, o outro avião colidindo com a outra torre e depois o desabamento daquele símbolo do capitalismo norte-americano.

Mas 44 pessoas estavam no vôo da United Airlines, número 93, saindo de Newark com destino à San Francisco, mas nunca chegaram ao destino. Quatro terroristas da Al-Qaeda estavam entre os passageiros e sequestraram o avião com um importante alvo definido: a Casa Branca. Paul Greengrass, diretor do filme, mostra os bastidores dos controladores de vôo, das Forças Armadas e do interior do avião, com um roteiro (escrito por ele também) bem amarrado. Nota-se uma apatia do alto escalão do governo Bush. As respostas para os ataques em solo americano demoraram a sair.

Os atores são praticamente desconhecidos, o que dá um ar de credibilidade ao filme, pois não há uma figura heróica no filme, e sim, várias. Percebendo que não conseguirão chegar a tempo na Casa Branca, os terroristas resolvem atingir um alvo qualquer, e o que se vê nas cenas finais do filme é uma rebelião dos passageiros contra os terroristas. Os três minutos finais do filme, para mim, são poesia pura e uma das melhores coisas que Hollywood pode fazer nos últimos anos.  Com o solo se aproximando, percebe-se o desespero na luta entre passageiros e inimigos na cabine dos pilotos, e uma música triste, dá o tom do desfecho do filme, com a imagem fechando na imagem, de dentro do avião, do solo se aproximando, até que a tela se escurece.

Ninguém sobrevive. Todos morrem, mas aqueles passageiros evitaram que o pior para seu país acontecesse, que seria o lançamento do avião contra a casa do presidente norte-americano. Greengrass fez um filme de ação, com uma história conhecida do público, sem cair na emoção barata, no clichê. É uma boa dica de filme para um sábado a tarde.

 

Ficha técnica:

Filme: Vôo United 93 (United 93)

Direção e roteiro: Paul Greengrass

Elenco: Christian Clemenson

                Trish Gates

                David Alan Basche

Ano: 2006

Vigiai, jornalistas!

 

 

 

 

 

 

Hoje pela manhã, o agitado mundo das celebridades brasileiras sofreu um grande abalo. Amin Khader, promotor de eventos e dublê de repórter na TV Record, havia falecido de um suposto ataque cardíaco. A notícia foi postada no twitter por outro promoter famoso, David Brazil, famoso por ser gago e trabalhar em programas populares, como Domingo Legal. A triste informação se espalhou com uma velocidade impressionante. Grandes veículos de comunicação como UOL, Terra, Globo.com, O Dia, e até o próprio site da emissora em que trabalha, o R7, tratou de informar sobre a morte de Amin. Mas na verdade, Khader estava vivinho da silva, correndo na praia, onde encontrou Susana Werner, que foi a primeira a tuitar sobre a situação. Mas fica uma pergunta: onde estavam os jornalistas que não verificaram nada antes de publicar tal matéria?

Aprendemos nos bancos da faculdade, que devemos sempre ouvir os dois lados e que devemos investigar a fundo para não produzirmos inverdades na profissão de jornalista. Claro que a internet veio para beneficiar o trabalho do operário da comunicação, mas o que se vê hoje, é a utilização do Google (ou Wikipedia) como maior fonte de pesquisa e a veracidade de um twitter quase nunca é questionada. David Brazil acusa Amin de tê-lo feito acreditar, através de uma trama bem feita, iniciada ontem a noite com um telefonema moribundo, e a outra parte disse que David só quis difamá-lo. Mas porque nenhum jornalista se dispõs a ligar para a assessoria dessa criatura para saber a veracidade dessa informação? Com duas mensagens de 140 caracteres cada, já fizeram matérias de 16 linhas, quatro parágrafos. Será que estamos perdendo a linha? Enchendo lingüiça demais? Gilmar Mendes estava certo quando disse que qualquer um poderia ser jornalista?

Acredito que esse erro de hoje, e outros que vem acontecendo recentemente, sirvam de exemplo para que os jornalistas tenham um maior cuidado com a apuração das notícias. Erros sempre irão acontecer, mas quando se percebe a multiplicação deles, como no dia de hoje, se percebe que alguma coisa está errada. Falta descobrir se é na qualidade do profissional, na pressão do editor pelo “furo” ou se é na formação acadêmica.

A ascensão das classes baixas no Brasil


Uma das notícias mais faladas de hoje foram os ótimos números que o Brasil registrou em relação ao crescimento econômico e a redução das desigualdades sociais, segundo estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O levantamento mostrou que, desde 2003, o país teve quase 50 milhões de pessoas ingressando nas classes A, B e C – um aumento significativo de 47,94%.  A população pertencente às classes D e E (com renda familiar de até R$ 1.200) caiu de 92,8 milhões em 1993 para 63,5 milhões.

No mesmo período, a classe C (com renda familiar entre R$ 1.200 e R$ 5.174) saltou de 45,6 milhões para 105,4 milhões, enquanto as classes A e B (renda familiar maior que R$ 5.174) juntas tiveram crescimento de 8,8 milhões para 22,5 milhões.

A classe média é a única que continuou crescendo no país do ano passado pra cá. Neste período, essa parte da população aumentou de 53,6% para 55,05%, enquanto as classes A e B juntas recuaram de 11,98% para 11,76%, interrompendo a linha de alta apresentada nos últimos anos.

A prova de que a desigualdade vem diminuindo é que,  24,6 milhões de pessoas deixaram a classe E, e 7,9 milhões, a classe D. Enquanto a renda real per capita dos mais ricos cresceu 10%, a dos mais pobres cresceu 68%. Estes resultados são importantíssimos, ainda mais comparados a outros países. Entre os Brics (grupo dos principais países emergentes, composto por Brasil, Rússia, Índia e China), fomos os únicos a registrar a queda na desigualdade social.

Essa inserção é resultado do crescimento econômico do Brasil nos últimos anos. Os investimentos em educação, os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, a estabilidade econômica e a crescente oferta de empregos também influenciaram fortemente no resultado.

Mas a pesquisa mostrou também que alguns cenários não mudaram. O Sul do país apresentou o menor índice de desigualdade social. A região também se sobressai no que diz respeito a integrantes da classe A. As cidades com maiores números de membros dessa classe estão na região, sendo elas, respectivamente, Niterói, no Rio de Janeiro (30,7%), Florianópolis (27,7%), Vitória (26,9%), São Caetano (26,5%), Porto Alegre (25,3%), Brasília (24,3%) e Santos (24,1%).

Enquanto isso, o Nordeste possui as cidades com menos integrantes da classe A, sendo elas Água Nova (RN) e Assunção do Piauí (PI), ambas com 0%, Quixaba (PE), com 0,03%, Logradouro (PB) e Venha-Ver (RN), ambas com 0,05%. Pelo visto, ainda levará um tempo para que o nordeste consiga vencer as desigualdades sociais.

Como nasce um mito

 

Los Angeles, 16 de maio de 1983. 3 mil celebridades norte-americanas lotam o teatro Pasadena Civic Auditorium para o show comemorativo aos 25 anos da gravadora Montown Records. Denominado “Motown 25: Yesterday, Today, Forever”, o espetáculo contou com a apresentação de grupos negros que tiveram sou história vinculada à gravadora, como Junior Walker, Marvin Gaye, Mary Wells, The Vandellas, The Miracles, Stevie Wonder, além de outros. Entre eles, os Jackson Five, o lendário e extinto grupo musical que fizera um estrondoso sucesso nos anos 70. Composto por cinco irmãos negros, o grupo teve a Montown Records como sua primeira gravadora e não poderia ficar de fora do show.

Os Jackson Five se apresentaram em sua formação original – Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e nos vocais, Michael Jackson. O primeiro vocalista do grupo fazia carreira solo desde 1978, com o lançamento de “Off the Wall”. Convidado por Barry Gordy, diretor da gravadora, Michael aceitou apresentar-se com os irmãos com a condição de também apresentar um número solo do seu novo álbum.

Após serem anunciados, os cinco entram no palco correndo. Posicionam-se e fazem as coreografias como antigamente. Com os Jacksons, Michael cantou um “Medley” dos principais sucessos do grupo na época em que tocavam na gravadora (I Want You Back , The love you Save , Never Can Say Good Bye e I’ll Be There). Ao terminar a apresentação, todos se cumprimentam. Os irmãos se despedem do público, que os aplaudem bastante. Apenas Michael permanece no palco.

Todos conheciam Michael Jackson, que cantava com os irmãos desde os seu 5 anos de idade. Sua carreira solo estava começando a dar resultados, mas ainda não era o vôo esperado. O público estava ávido pela apresentação, que possuía um elemento surpresa. O que Michael Jackson teria reservado para eles? Ele ensaiara apenas a apresentação com os irmãos, deixando a sua como surpresa até o último instante. A canção escolhida por ele foi Billie Jean, lançada seis meses antes como segunda faixa do álbum que viria a ser o mais vendido da história – o lendário Thriller.

Michael estava vestido com a roupa que o eternizou: paletó, calças negras e camisa prateada. Sapato de couro com meias à mostra e, pela primeira vez, a luva branca com lantejoulas na mão esquerda, que viria a ser a sua marca registrada. Ele pega então um chapéu preto de feltro e caminha lentamente até a ponta do palco. Ele para. Olhando para a platéia, profere então as seguintes palavras:

– Esses foram os bons tempos. Amo essas canções. Tive momentos mágicos com todos… mas eu também gosto de novas canções!.

Michael então gira e começa a dançar. Ao começar a batida da musica, ele faz os primeiros passos da dança. O público reage no mesmo instante, acompanhando o ritmo através de palmas. O chapéu sobre os olhos, a mão estendida para trás, enquanto começam os primeiros acordes da canção.

 

“She was more like a beauty queen from a movie scene

I said don’t mind, but what do you mean I am the one”

 

A música tem uma batida diferente. As pessoas começam a se levantar uma após a outra para acompanhar o ritmo. A distinta levada de baixo misturada com os soluços vocais de Michael é totalmente diferente do que se encontrava até ali – uma simples linha rítmica composta pelo próprio artista em uma bateria.

 

“She told me her name was Billie Jean, as she caused a scene

Then every head turned with eyes that dreamed of being the one

Who will dance on the floor in the round”

 

 

Originalmente reprovada pelo então produtor de Michael Jackson, Quincy Jones, Billie Jean quase foi retirada do álbum depois que ele e Jackson tiveram discordâncias. Por sorte, o destino não deixou. A canção recebeu inúmeros prêmios, incluindo dois Grammy’s, um American Music Award e uma indicação para o Video Music Producers. Reza a lenda que sua letra teve como base um episódio real da vida do cantor – uma fã teria escrito uma carta em 1981 informando que ele era pai de um dos seus filhos. Ela dizia que o amava e queria estar com ele, escrevendo muitas outras cartas. As correspondências perturbaram tanto o cantor que ele chegou a ter pesadelos. O gênio conseguiu reverter a situação, transformando o episódio em música, colocando emoção em sua voz toda vez que a cantava.

 

“Billie Jean is not my lover

She’s just a girl who claims that I am the one

But the kid is not my son

She says I am the one, but the kid is not my son”

 

A música segue e Michael a canta com empenho e desenvoltura, aplicadas com a mesma intensidade em sua coreografia. Vem a segunda parte da canção e ninguém consegue desviar o olhar. O artista hipnotizava a sua platéia.

 

“She told my baby that’s a threat

As she looked at me

Then showed a photo of a baby crying

Eyes were like mine

Go on dance on the floor in the round, baby”

 

Após o refrão entra o solo de baixo. Michael Jackson para de cantar e mostra a sua surpresa. É o ápice da apresentação. Ele anda até o canto esquerdo do palco e volta deslizando de costas. Foram três segundos de um momento único. O passo, denominado  “Moonwalk”, criado e batizado pelo Dançarino Bill Bailey, era realizado por quem realmente o consagraria. As 3 mil pessoas que presenciaram a cena in loco tiveram os queixos caídos.

Ali nascia o mito. Naquele instante, o menino-prodígio tornou-se o “King of Pop”. A partir daqueles passos a cena musical não seria mais a mesma. A performance é considerada um dos momentos mais importantes da cultura pop até os dias de hoje.

Ao final da apresentação, Michael Jackson é aplaudido de pé por uma platéia em êxtase. Essa performance cravou o status de celebridade absoluta de Jackson, sendo notícia em todo o mundo. Depois daquele momento, daquela coreografia, o mundo voltou os olhos naquele rapaz. Ele nunca mais seria esquecido desde então…

 

 

Ps: Esse texto era para ser postado no último sábado, dia 25 de junho, onde completaram dois anos da morte de Michael Jackson. Mesmo com atraso, fica aí a homenagem.

 

 


Ameaça Digital


Banner deixado pelos hackers no site do Ministério da Cultura

Esta semana o Governo brasileiro enfrentou a maior onda de ataques hackers de toda a sua história. Foram alvos da ação sites como o da Presidência, o Portal Brasil, da Receita Federal, do Ministério da Cultura e também do IBGE, onde as home-pages dessas instituições foram tiradas do ar. O ato foi reivindicado pelo grupo LulzSecBrazil, que teria ligações com o LulzSec, responsável pelos recentes ataques a empresas Sony e Nintendo, às redes de televisão americanas Fox e PBS e a órgãos governamentais americanos como a CIA e o FBI, além do serviço público de saúde britânico. Este braço brasileiro do grupo teria se unido com outro – o Anonymous – contra órgãos governamentais de todo o mundo em uma operação batizada de Antisec.

O que está acontecendo é um perigo real e contemporâneo. Finalmente estamos diante de uma ameaça que estava adormecida desde os primórdios da informatização de todos os processos no mundo. É só analisar o momento para entender que vivenciamos um momento diferente. A humanidade está dando um passo em direção a um novo tipo de guerra pós-moderna, onde atividades hackers misturam-se com o crime organizado e ao ciberterrorismo em uma dimensão mais ampla. O futuro não será às armas e os soldados. O campo de batalha estará limitado à rede, ou seja, não terá limite algum.

As investidas contra os sites do governo é a ponta de um gigantesco iceberg imerso no oceano digital. Apenas este ano, sites governamentais brasileiros sofreram um total de 714 ataques de pichação – uma média de 4 invasões por dia ou cerca de 28 por semana. Não é fácil detectar a origem dos ataques. Na operação contra o governo registrada esse semana, os acessos vinham da Itália. No entanto, através de computadores zumbis e do uso de servidores Proxy, é possível mostrar uma falsa origem para confundir quem rastreia os ataques.

A guerra está declarada e está em andamento. Um bom exemplo é de um vírus misterioso que foi capaz de atrapalhar o programa nuclear iraniano: o Stuxnet. Esta foi uma das mais complexas ameaças digitais já encontradas até os dias de hoje. Pela primeira vez, foi criado um vírus com um objetivo específico. Apesar de ter se espalhado em computadores do mundo todo, o Stuxnet prejudicou apenas aqueles localizados na usina nuclear iraniana de Busher. A ação inédita danificou centenas de centrífugas da usina. Até então, acreditava-se que só uma ação militar que bombardeasse o Irã poderia causar um estrago tão grande.

O Stuxnet invadiu um sistema blindado, que possuía o menor contato com redes externas possíveis. Agora imaginemos o que um ataque em outros tipos de sistemas, cujas quais dependem o nosso dia-a-dia, não podem causar.

O banco onde estão nossas economias é informatizado. Uma usina que gera energia elétrica é toda controlada por computadores. Controles de tráfego aéreo também dependem de sistemas. Até para se pegar um ônibus em Aracaju, temos presente a informatização. E se, por conta de ataques hackers, nos é cortado todos esses serviços? Não sabemos quando, nem onde, mas esse tipo de coisa pode acontecer sim. É uma realidade e um caminho sem volta. A solução então é preparar-se.

Alguns países já estão estudando formas de se defender da ameaça. No ano passado, o Departamento de Segurança Interna dos EUA realizou o exercício de um plano de defesa. Batizada de Cyber Storm III, a operação teve a participação de outros 11 países e examinou como a nação reagiria se serviços essenciais, como o sistema financeiro, fossem tirados do ar do dia para a noite.

Cabe ao Brasil fazer também investimentos necessários nesse sentido. As invasões aos sites governamentais é apenas um prelúdio do por vir. Ou nos preparamos para vencer essa ameaça ou aceitamos a derrota eminente.