Uma ótima oportunidade

Hoje, sexta-feira, chega ao fim uma semana agitada no Planalto brasileiro. O escândalo do Ministério dos Transporte parece diminuir lentamente a sua exposição. Nada mais natural. É intrínseco à mídia malhar ao máximo determinado assunto até esquecê-lo totalmente, em geral, por conta da gênese de um novo escândalo, uma nova falcatrua.

Apenas para situar, este escândalo surgiu no início deste mês através de denúncia da revista Veja que apontou irregularidades e superfaturamentos em obras do Ministério dos Transportes.

A presidente Dilma Rousseff pode, de certa forma, colocar a sua cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos, com a sensação de dever cumprido. Ela fez o que mais se espera de um governante digno e cortou o mal pela raiz. Demitiu 15 pessoas evolvidas no caso, entre eles, Alfredo Nascimento, que chefiava a pasta.

Provavelmente, outras duas pessoas ainda serão demitidas: o atual diretor-geral do DNIT, Luiz Antônio Pagot (que só não recebeu as contas ainda por estar de férias), e também o diretor do infraestrutura do órgão, Hilderaldo Caron. Com isso, a presidente Dilma espera ter feito uma limpeza no ministério, varrendo os corruptos para o olho da rua.

Mas a turbulência ocasionada pela repercussão do caso parece estar longe de uma definição. Existe a possibilidade de racha na base aliada por conta da insatisfação do Partido da República (PR). A legenda ficou insatisfeita por ter perdido o ministério, obtido através de uma permuta muito corriqueira em nossa política (dê-me um cargo para que possamos exibir em nossa propaganda partidária que facilitaremos suas propostas no Congresso).

Com a crise, abre-se uma importante oportunidade para a presidente: o de acabar com o loteamento de cargos no governo. Ela teve a coragem de peitar e desagradar um partido da base para, pela primeira vez em sua gestão, indicar um nome através de critérios técnicos. Sabe-se lá há quanto tempo que isso não acontece em nosso governo. Apesar de esta iniciativa prejudicar um pouco a sua “governabilidade”, dará também à presidente Dilma a moral por ter dado o primeiro passo.

Se esse tipo de decisão virar rotina daqui por diante, tenhamos toda certeza, que a presidente sairá mais fortalecida quando chegar à calmaria. É só esperar para crer.

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