Rede social viabiliza traição

Que a internet é um terreno fértil para quem quer aprontar isso ninguém duvida não é? Os chats do final do século passado perderam espaço para as redes sociais nos anos 2000. Mirc, ICQ, MSN, Orkut, Facebook, Twitter e Linkedin, dentre outras dezenas, fazem parte da cronologia das redes mais utilizadas pelos usuários. Mas uma surgida nos EUA no começo de 2009 e que essa semana aportou no Brasil chama atenção pela sinceridade em seus propósitos. Trata-se da Ohhtel ( http://www.ohhtel.com/ ) , rede social fundada por Michael Willians, 40 anos, com o objetivo de promover encontro entre pessoas casadas, afim de toda sorte de relações, desde amizade até sexo casual.

Há uma semana no Brasil, a The Ohhtel já tem, pasmem, 65 mil usuários cadastrados no país. O senso comum diz que o povo brasileiro é bem resolvido sexualmente, mas daí a chegar nesses números expressivos buscando a traição. Claro que nesse meio deve ter alguns espertinhos que não se encaixam no perfil do site, mas uma maioria sim, ou seja, as relações matrimoniais não estão nada bem no nosso país tropical. De acordo com pesquisa de mercado feita pelo site, 19,2% dos casais brasileiros vivem com menos de 1 relação sexual por mês e 51% estão insatisfeitos com sua vida sexual.

O serviço é gratuito para mulheres e os homens pagam R$ 60,00 para poder enviar e-mails a 20 pretendentes do sexo oposto. Será que estamos chegando na era dos relacionamentos abertos, numa época em que o respeito ao próximo virou artigo raro ou o amor e a fidelidade ficaram fora de moda? Puritanismo a parte, esse site é uma modernidade inconcebível uns 20 anos atrás pela sua forma aberta de traição, e não porque a traição em si seja uma novidade.

Essa família é da pesada mesmo

Os filmes de Hollywood estão passando por uma fase pouco criativa. Continuações e releituras são as grandes bilheterias do atual verão norte-americano. Atualmente, a melhor parte da capacidade de criação e de qualidade dos roteiristas dos EUA estão nas séries de TV. Programas como The Sopranos, Lost, 24 Horas, Damages, dentre muitas outras, dão um verdadeiro show em 99% dos filmes produzidos na América do Norte. Dentro desse nicho, existem os desenhos animados de temática variada, mas que têm os adultos como público principal. The Simpsons, na Fox, estão há 22 temporadas fazendo um sucesso tremento. Mas hoje vim falar de um gênio deste gênero e minha série nesse estilo favorita: falo de Seth McFarlane e Family Guy.

Family Guy surgiu em 1999 centralizado na história de Peter Griffin, um homem trabalhador, mas sincero e infantil ao quadrado. Ele é casado com Lois, de família rica e que é o lado racional do casal, apesar de alguns episódios em que perde essa característica. Eles tem três filhos: Meg, adolescente tímida e que sofre bullying na escola, Chris é um jovem gordo e burro e muito infantil para os seus 13 anos e Stewie ( o melhor personagem da série), um bebê de um ano, com sexualidade muitas vezes indefinida, com tendência terrorista contra sua mãe e com as melhores falas do seriado junto com o ‘bicho de estimação” da família Griffin, o cão Brian, que anda e fala como um humano, é ateu e tem uma acidez fenomenal.

Family Guy reúne elementos que fazem ser um dos produtos da cultura pop norte-americana dos melhores. Críticas ao modo de vida americano, a cultura do país, seus políticos estão sempre presentes nos episódios. As particularidades de cada personagem, inclusive os secundários, como os amigos de Peter Griffin, o macaco que mora no armário de Chris, dentre outros, são um diferencial desse programa que há 11 anos faz muito sucesso em todo planeta. Tanto faz, que um spin-off já surgiu da série, The Cleveland Show, com o amigo negro de Peter como protagonista.

Family Guy passa diariamente em diversos horários no canal FX e a rede Globo realiza um rodízio entre as produções de Mcfarlane, atualmente é transmitida após o Altas Horas o The Cleveland Show, mas Family Guy e American Dad já passaram nesse mesmo horário e em breve voltarão. É uma ótima pedida.

 


O apelo de uma cidade que sofre. Por Lays Millena.

De São Cristóvão a todos que acompanham e/ou contribuem com o descaso que me persegue.

Primeiramente, gostaria de me apresentar aos senhores. Todos me conhecem como a “quarta cidade mais antiga do país”. Fui a primeira capital sergipana, fundada por Cristóvão de Barros no dia 1° de janeiro de 1590. Em 1637 fui invadida pelos holandeses e fiquei praticamente destruída. Em meados do século XVIII fui reconstruída e em 08 de julho de 1820, com o decreto de D. João VI, Sergipe emancipou-se da Bahia e eu me tornei a capital. Anos depois, criou-se um movimento com o objetivo de transferir a capital para outra cidade que tivesse um porto capaz de receber embarcações de grande porte, para facilitar o escoamento da produção açucareira. Foi então que, em 17 de março de 1855, Aracaju tornou-se a capital sergipana e eu perdi meu nobre título. No entanto, em agosto do ano passado ganhei outro título importantíssimo. A Praça São Francisco agora é Patrimônio Histórico da Humanidade e não param de chegar turistas para me visitar todos os dias. Fico até tímida com os olhares admirados e flashes que registram, modéstia à parte, toda a beleza histórica e cultural que tenho.

Sem mais, vou direto ao ponto: estou sendo enganada há muitos anos. Pode parecer um tanto óbvia essa minha afirmação, mas faço questão de fazê-la. Os que me conhecem sabem o quanto venho sofrendo com os gestores que tentam me administrar. Começo por Armando Batalha, que assumiu a prefeitura e não fez tanto quanto poderia. Depois veio Zezinho da Everest, o José Correia Santos Neto, que teve uma gestão muito turbulenta. Zezinho foi vítima de leptospirose e faleceu antes mesmo de cumprir seu mandato. É uma história muito triste, a qual prefiro nem lembrar. Nessa época, o prefeito interino era o Alexsander Andrade, o conhecido Alex Rocha, meu atual gestor. Ou melhor, Alex foi um dos que assumiram a prefeitura, pois não posso esquecer que Carlos Umbaubá também me comandou durante alguns meses.

Enfim, como disse anteriormente, Alex Rocha é o meu atual prefeito. Lembro-me do período de campanha. As pessoas acreditavam que ele seria o único responsável pelo meu avanço. A população estava decepcionada com a falta de respeito e apostou em Alex, o novo, aquele que poderia mudar toda aquela situação. Quanta utopia! Quanto arrependimento! Após três anos de gestão, eu realmente mudei, mas para pior. Ouço reclamações diárias de tudo que há de errado por aqui. Tem gente reclamando da saúde, dos postos que não funcionam e até do hospital que, diga-se de passagem, não existe. Sobre mim, cai o pranto de muitas famílias vítimas da violência que me invade dia após dia, tornando-me uma das cidades mais violentas desse Estado. Minhas ruas estão esburacadas. A poeira das obras inacabadas deixa-me ainda mais velha. Confesso: estou farta de tantos problemas.

E agora, vejam só! Estão me maquiando para o próximo dia 08 de julho. Neste dia todos estarão comemorando os 191 anos da emancipação sergipana. Também será entregue oficialmente o diploma de título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Até Ana de Hollanda, ministra da Cultura, disse que estará presente. Para a solenidade, já estão montando na Praça São Francisco uma bela estrutura. Os meus buracos estão sendo tapados com um asfalto que, possivelmente, daqui a mais um mês terá de ser trocado novamente. As calçadas já foram pintadas e a grama foi aparada. Claro! Acham que a ministra e todos os demais convidados poderiam conhecer minha triste realidade? Não. Está sendo difícil cobrir as mazelas do descaso, mas nada que uma boa cal e alguns retoques não resolvam.

Na verdade, o que eu queria mesmo era não precisar me maquiar tanto para eventos como esses. Eu queria ser bem cuidada, bem administrada. Queria ver minha gente feliz e cheia de orgulho por morar em mim. Infelizmente, não é isso que vejo, mas carrego esse sonho comigo. Por isso, caros leitores, peço a ajuda de todos vocês nessa luta. Não sei mais a quem pedir. Não sei qual autoridade será capaz de fazer algo por mim. Mas peço ao meu povo que não desistam dessa menina. É! Menina mesmo! Não me abandonem, não deixem que escondam os erros e a podridão acumulada durante tantos anos.
Não preciso de maquiagem e muito menos de homenagens. Preciso de mudança e mudança de verdade.
Aqui termino o meu pedido. E se pedir não for suficiente, considerem estas palavras como o apelo de uma cidade que está CANSADA DE SOFRER.

Grata,
São Cristóvão, berço de Sergipe.

Lays Millena é estudante de jornalismo e letras e escreveu esse texto originalmente para o seu blog http://literariase.blogspot.com/

Será que não foi cedo?

Estreou ontem, após o jogo do Campeonato Brasileiro, na Band, o programa “Agora é Tarde”, sonho de consumo de Danilo Gentili, humorista do CQC e stand up. No primeiro programa, por ser uma estréia tão aguardada, atenção em tudo. A atração, divulgada inicialmente como um talk show, teve um pouco disso, mas não diria que seria sua categoria televisiva. Está mais para um entretenimento mesmo. Puro e simples.

 Gentili estava um pouco nervoso (apesar de não ser ao vivo, o programa é gravado no dia em que é exibido) mas seu estilo despojado na linguagem tendem a fluir melhor o programa. A banda Ultraje a Rigor dá o tom do programa. Entre 45 e 50 minutos de exibição, o espaço dos comediantes Marcelo Mansfield, Murilo Couto e Leo Lins ainda é restrito, mas o quadro apresentando por Murilo Couto, Pequenos Gestos, foi interessante.

 Na estréia, o convidado do Agora é Tarde foi Marcelo Adnet, humorista da MTV e que é o “queridinho” da mídia ultimamente. Com boas tiradas, Adnet e Gentili, apesar de uma falta de rirmo, natural pela estréia, tiveram bons momentos. Agora, tivemos notícias de tantos pilotos produzidos, e porque não arrumaram o básico, como o péssimo áudio do programa todo, principalmente do apresentador. Parece que, na Band, o mundo iria se acabar se não estreasse o programa ontem.

 Não é o melhor programa do mundo, mas ajustando uma coisa aqui e ali, “Agora é tarde” tem tudo para se consolidar na grade da Band, diferente do péssimo desde a estréia, O Formigueiro, do CQC Marco Luque.

O quê: Agora é tarde, com Danilo Gentili

Onde: Na Band

Quando: Quartas e Quinta às 23h45

Ela se foi

Na tarde desta segunda-feira, cometeu suicídio Maria José Teles de Menezes Santos, 62 anos, pulando do viaduto localizado sobre a Avenida Hermes Fontes, aqui em Aracaju. Seria uma morte comum, estatisticamente morrem milhares de pessoas anualmente se suicidando, apesar da balela de que divulgar informações desse tipo através da imprensa poderia aumentar o número de casos. Tem uma comunidade no orkut, que os membros postam perfis de pessoas falecidas, que ajudam a entender o número de suicídios no país (isso porque são apenas pessoas que tem orkut, imagina o restante como dona Maria?). Olha o link da comunidade http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=993780 .

Mas esse caso em especial tem duas vertentes interessantes. A primeira, é que é o segundo caso de possível suicídio, no mesmo lugar em menos de 3 dias. No sábado, outra senhora com os mesmos 62 anos, caiu e não se sabe ainda o porquê aparente de tal morte, mas o suicídio é probabilidade muito forte. Será que o viaduto será o novo Pátio Brasil, lembrou Daniel, amigo do blog. Leia aqui algo sobre o fatídico Pátio Brasil, shopping center localizado em Brasília e palco de 12 suicídios em 8 anos. ( < http://convivendocomabipolaridade.blogspot.com/2009/05/suicidios-no-patio-brasil.html >)

Mas o que é mais estarrecedor é que Maria José Teles de Menezes Santos é um nome comum, mas quando se falava na “Véia do Shopping” era um personagem famoso na cidade. Ela vivia perambulando nos shoppings da cidade, com seu rosto, apesar de quase negra, esbranquiçado de tanta maquiagem que passava, era uma figura bizarra. Várias histórias foram inventadas sobre sua origem, porque dela ser assim. A mais comentada, falava que ela era enfermeira e que ficou transtornada após a morte da mãe, que ficou dias na casa onde elas moravam, morta na cama.  Vivia dessa forma, sempre via no shopping tal figura, quase folclórica, desde meus primeiros tempos em Aracaju (isso já faz 11 anos). desde 2009, ela começou uma mudança, ajudada por uma tia. Se converteu a uma Igreja evangélica, mas ainda a via no shopping, agora como uma transeunte quase comum, mas sempre com aquela memória daquela pessoa esquisita, mas que pouco se importava pro que o mundo pensava dela. Dois anos depois a tal mudança, ela comete esse ato. Será que essa pressão por “ser normal” não fez mais mal do que bem a ela? Irão dizer, mas ela nunca foi normal mesmo. Mas até esse momento, que eu saiba, ela nunca havia nem tentado tal coisa. E nem fazia mal a ninguém com seus inúmeros rolos de papel higiênico numa sacola que ela sempre carregava nos seus passeios pelos shoppings da cidade.

Então, será que essa busca por sermos de algum grupo social, ou até a intromissão de alguém no estilo de vida dela, não pode ter lhe causado tamanha tristeza que culminou no que aconteceu hoje? Será que a realidade alternativa (para a maioria) que ela vivia nos tempos de pó branco no rosto não a fazia mais feliz que a sobriedade atual? Perguntas sem respostas, mas texto a parte, fica a saudade de ver um personagem da cidade morrer desse jeito, buscando, quem sabe, alguma resposta para a vida.