Salvem o futebol sergipano

Carivaldo Souza é presidente da Federação Sergipana de Futebol desde 1990. De lá pra cá, as equipes do estado foram da atual Série B nos anos 90 decaindo até a Série D, quarta e derradeira divisão do futebol nacional. No campeonato local, equipes tradicionais do estado, por gestões desastrosas e anuência da FSF, não conseguem montar bons times e perdem torcedores para clubes de outros estados. O campeonato local é deficitário, não há empatia entre torcida e time e ainda ter que ler, num release oficial, que Carivaldo tem a consciência tranqüila pelo que está fazendo pelo futebol local. O povo de Macambira e o Ministério Público Federal sabem a qualidade da administração desse senhor.

Assim como o nefasto Ricardo Teixeira na Confederação Brasileira de Futebol, parece que para Carivaldo largar esse posto é muito difícil. Em excelente matéria publicada no Jornal Cinform da última segunda-feira, 25, feita por Tirzah Braga, diversos clubes que existem apenas na fachada ou nem isso, votam nas eleições da nossa federação. Mais sombrio que isso, só o apoio incessante do amigo Ernando Rodrigues, presidente do atual bicampeão do estado, River Plate, na manipulação do estatuto da FSF, para a permanência por mais algumas reeleições de Carivaldo. Dizem os sábios membros diretivos que essa mudança no estatuto é uma exigência da Casa Bandida do Futebol (salve Juca Kfouri) para todas as federações do país, e que ela deveria ter acontecido em 2007. Mas porque seguir tudo a risca, se não fosse benéfico para o nobre sir Souza queria ver se ele iria acatar o pedido da CBF. E

m vinte anos não surgir um nome que faça oposição a Carivaldo é no mínimo estranho. Já passaram pessoas da estirpe de um Motinha até outros mais estimados, mas nenhum se propôs seriamente a tirar o cavaleiro da simpática Macambira a frente da FSF. Acompanhando pelos jornais e redes sociais, percebo jornalistas e alguns políticos, como Venâncio Fonseca (esse de forma veemente), indignados com essa situação que o futebol sergipana, essa sucessão de erros que Carivaldo e cia. cometeram ao longo dos anos e que hoje culmina num total despreparo de toda estrutura do futebol local. Ou alguém aqui se orgulha dos estádios, equipes, dirigentes ou por apenas um time estar na série D do futebol nacional. Acho que só Carivaldo e a corja que comanda o futebol sergipano. Que as vozes dissonantes se unam e mostrem sua força, o futebol sergipano agradece.

#ForaCarivaldo

Amarelou

Na melhor partida, em jogos oficiais, na era Mano Menezes, a seleção brasileira caiu diante do Paraguai de maneira bizarra. Nunca antes na história desse país, um selecionado tinha desperdiçado todas as cobranças de pênalti quaisquer que fosse a disputa. Gramados ruins e arenosos a parte, o que se viu, foi uma total falta de controle emocional de jogadores renomados do futebol mundial.

No 4-2-3-1 que virou moda no futebol mundial, o Brasil fez o melhor jogo no tempo normal na Copa América. Robinho, Neymar, Ramires e André Santos jogavam muito pelo lado esquerdo. Lucas Leiva fazia a contenção de forma correta. A defesa parecia mais segura que no jogo anterior. Só Pato é que destoava um pouco, muito isolado a frente. Ganso, apesar de aparecer pouco, sempre dava toques precisos e criava boas jogadas no meio campo brasileiro. Mas o tempo ia passando e nada do gol acontecer. Justo Villar, goleiro paraguaio, se consagrava no campo de La Plata. Primeiro Neymar, depois Lúcio e Pato tiveram chances claríssimas de marcar um gol no tempo normal, mas Villar salvou todos. Quando o goleiro não defendeu uma cabeçada de Fred, o zagueiro paraguaio salvou em cima da linha, já na metade final do segundo tempo.

As substituições de Mano Menezes ontem, na minha opinião, foram equivocadas. Tirar Neymar e Ganso do time é um ataque ao futebol moderno e habilidoso dos dois. Apesar de não fazerem grande partida, os dois são a referência criativa do time e ao saírem, para a entrada de Lucas Silva e Fred, o Brasil parou. Com a expulsão de Lucas Leiva e Alcaraz, e a inevitável alteração da entrada de Elano no lugar de Pato, o Brasil ficou exposto, e durante a prorrogação se viu um Brasil desorganizado e sem força no ataque, contra um Paraguai que esperava ansiosamente a disputa das penalidades máximas.

Nos pênaltis o que se viu foi bizarro. Elano e André Santos “isolaram” suas cobranças. Colocaram a culpa no gramado. Thiago Silva, bateu mal e Villar se consagrou de vez. Fred, na quarta cobrança brasileira, e que ainda poderia manter o país vivo na competição, mandou a centímetros do lado esquerdo do gol e terminava ali a Copa América para a seleção brasileira. Exatamente como nas últimas duas Copas do Mundo, menos de 24 horas depois da eliminação Argentina.

O time melhorou, isso ficou nítido. Mas André Santos não é jogador de seleção brasileira e Ramires ainda não está pronto para ser titular. Após ver o espetáculo uruguaio no sábado, que uniu aplicação tática com garra, é difícil ver a apatia de uma seleção brasileira que tem grandes jogadores mas não mostra muita vontade na hora de defender a tradição canarinho. A torcida se afasta cada vez mais do mito do time da CBF e parece que isso não importa muito para a entidade, enquanto o lucro continuar crescendo. Pobre futebol brasileiro.

 

P.S.; Hoje o jornalismo sergipano está de luto pelo falecimento do grande mestre Cleomar Brandi na tarde de ontem, às 16h, na hora do início do jogo tema do post de hoje. Não poderia deixar de prestar minha homenagem a esse homem que lutou muito pela vida e sempre tinha uma palavra positiva para quem o conheceu. Fica a saudade deste grande mestre que se foi fisicamente, mas permanecerá eternamente na história de quem conheceu.

“Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de crianças nos olhos.” (trecho de, “A última crônica” de autoria do próprio Cleomar Brandi)

 

As mulheres salvaram o dia

Ontem, tivemos seleção brasileira em dose tripla. No início da tarde, Brasil x Noruega, duelaram pela segunda rodada da Copa do Mundo feminina. Depois, às 16h, os marmanjos iniciaram a caminhada rumo ao tricampeonato na Copa América, frente a Venezuela. Já a noite, no Mundial sub-17, o Brasil enfrentou o Japão pelas quartas-de-final da competição.  Primeiro vamos ao fiasco principal.

Festa preparada, time dos sonhos do técnico Mano Menezes em campo. Um 4-2-3-1 com Pato no ataque. No papel, um timaço. Mas no campo, o que se viu foi um Brasil sem criação perante uma fraca, porém não boba, Venezuela. Daniel Alves irreconhecível na direita e André Santos até buscou o ataque, mas sem sucesso. Um jogo feio, fraco, um oxo merecido. Para o próximo sábado, contra o Paraguai, Mano já prometeu alguma mudança no time. Talvez Elano ou Lucas Silva no lugar de Robinho.

No Mundial sub-17, a molecada começou arrebentando. Abriu 3 a 0 contra os japoneses. Léo, Ademílson e Adryan fizeram os gols. Mas num black-out geral, os orientais fizeram dois gols e por muito pouco não empataram no final. Que essa desatenção seja apenas um reflexo da imaturidade e não se venha a repetir nas próximas partidas. Duas vitórias e a equipe conquista o campeonato mundial. Por enquanto, Lucas Piazón, atleta do São Paulo com passagem comprada para janeiro de 2012 desembarcar no Chelsea, é uma decepção no torneio.

Mas o melhor veio do futebol elegante das mulheres. Numa partida memorável da “Pelé” Marta, o Brasil jogou um ótimo segundo tempo e venceu a Noruega por 3 a 0. O selecionado nacional começou nervoso e jogando mal, assim como na estréia contra as australianas, mas conseguiu, graças a um erro de arbitragem, abrir o placar no primeiro tempo. Mas, mal começou o segundo tempo, e Marta em duas pontadas espetaculares fez mais um e deu assistência para outro gol. Fenômeno. O melhor do futebol nacional no domingão triplo veio delas, as meninas de chuteira do Brasil.

Cidades da Copa: Brasília

Capital do país e do Distrito Federal. Cidade que ainda busca, pela sua importância política, ser a abertura da Copa do Mundo de 2014. Mas por enquanto, o que se vê, é um estádio Mané Garrincha ainda em processo de desmonte e demolição e uma guerra judicial entre o Ministério Público distrital eo poder público/privado pela gastança de dinheiro público nas obras. O “investimento” da cidade para o evento é da ordem de R$ 2 bilhões. Somente na arena esportiva, a previsão de gastos é de R$ 696 milhões, tornando-se o segundo mais caro, entre todas as sedes. Outro embate jurídico vem do Tribunal de Contas distrital que bloqueou o edital lançado em dezembro de 2010, com suspeita de sobrepreço na licitação. Em maio, após pressão política, foram liberadas as obras.

Brasília não é só problemas. Sua rede hoteleira já está condizente com o tamanho do evento com seus 27.480 leitos. Os índices econômicos da capital federal são interessantes para obterem uma credencial de cidade-sede da Copa. Além de ser a capital do país, chamariz inquestionável para um acontecimento dessa magnitude. Mas além da utilização pós-Copa do Mané Garrincha, que será uma arena multi-uso, a cidade também está há anos-luz no quesito transportes coletivos. É um caos que precisa ser melhorado e muito nos próximos três anos.

Interessante ressaltar que, pelo processo de licitação obscuro que foi aprovado na Câmara dos Deputados na semana passada, parece que um pool de construtoras venceram: OAS, Andrade Gutierrez, Oidebrecht e Mendes Junior. Claro que são as maiores do país, mas há claros indícios de superfaturamento e quem sabe, pagamento de dívidas oriundas das campanhas eleitorais. Para bom entendedor, meia palavra basta. A Copa, como um todo, já tem seu “preço”duplicado apenas nas obras dos estádios, imagina quando chegar na parte de infra-estrutura, rede hoteleira, transporte público, saneamento e tudo que terá de ser melhorado no país para receber esse “sonho” do brasileiro médio, mas pesadelo para quem acompanha um pouco mais profundamente, a gastança sem precedentes de dinheiro público.

Até a próxima!

Agora quem dá bola é o Santos

Não foi o futebol espetacular do primeiro semestre de 2010. Mas não é o futebol medíocre que críticos, principalmente do técnico Muricy Ramalho, tentam imputar à equipe santista. Fora que a equipe conta com dois jogadores de classe mundial: Paulo Henrique Lima, o Ganso e Neymar. Assim, 48 anos após a última conquista, ainda na Era Pelé, o Santos conquistou o tricampeonato da Taça Libertadores da América, se igualando ao São Paulo no número de títulos. 

 Num Pacaembu lotado (e Vila Belmiro com um telão gigantesco idem) o Santos iniciou a sua quarta final na Libertadores contra o outrora poderoso time uruguaio do Peñarol precisando de uma vitória simples, após o empate sem gols em Montevidéu, na semana passada. Era o jogo da volta de Paulo Henrique Ganso, maestro do time e da seleção brasileira, depois de 45 dias parado devido a lesão muscular. Além dos dois craques, o Santos tem ainda ótimos jogadores como Arouca, Elano, Léo, Durval. O elenco é um dos melhores do país. Do outro lado, era bola para Martinuccio (marcado individualmente por Adriano, um monstro ontem) e deixava ver no que dava.

O primeiro tempo, apesar do domínio santista, mostrou certo nervosismo. Arouca, o motorzinho do time, péssimo nos passes, como há muito não se via. As melhores jogadas sempre passavam pelos pés de Ganso, um Craque de verdade, com 3 ou 4 passes fantásticos na primeira etapa, desperdiçadas pro Neymar e pelo péssimo Zé Eduardo. A defesa do Santos não foi exigida em nenhum momento. 

 Começa o segundo tempo, uma troca de passes a lá Barcelona entre Ganso e Arouca, culminou numa bola para Neymar que chutou no canto direito de Sosa, que aceitou. Começa a festa. Santos 1 Peñarol 0. O time uruguaio, auxiliado pela arbitragem ruim do argentino Sérgio Pezzota, abre a caixa de ferramentas. Neymar, Ganso e Arouca são os alvos preferidos das chuteiras adversárias. Numa ótima jogada pela direita, o coringa Danilo, faz belíssima jogada, como se fosse Carlos Alberto Torres, disse PC Vasconcelos na transmissão do Sportv, e chutou no contrapé do goleiro uruguaio. Outra explosão de alegria no Paulo Machado de Carvalho, que só se calou alguns segundos, após o gol contra de Durval. Mas o título era do Santos, o melhor time do país, que conta com dois jovens craques em sua equipe.

O título do Santos coroa essa geração de ouro formada na Vila Belmiro. Diferente de 2003, quando a geração de Robinho e Diego perderam a final, em pleno Morumbi, para o Boca Juniors, essa não vacilou. Neymar, apesar de ser criticado por parte da torcida brasileira, é craque, não se esconde durante o jogo todo e parte para cima, qualquer que seja o adversário. Paulo Henrique Ganso jogou por água abaixo aquela teoria que jogador precisa de ritmo de jogo. Genial, como ele é, foi absoluto enquanto permaneceu em campo, jogou demais, seus passes são de um nível que só vejo hoje, no futebol mundial, o Xavi do Barça realizar. Arouca, Elano ( da geração de 2003), Edu Dracena, Durval, Adriano (que partida!) são coadjuvantes de luxo. Um salve para o Muricy Ramalho, melhor técnico do país desde 2005, e que finalmente quebrou essa fama de não vencer ‘mata-mata’. Sou fã dele.

Tirando o babaca que entou pelo túnel dos santistas e agrediu um jogador do Peñarol causando aquela selvageria no final (É errado pois veio de alguém de fora do espetáculo, mas Libertadores sem uma briguinha não parece Libertadores.) o Santos mereceu o título e toda festa da sua torcida. É o título máximo do continente que tem mais craques no futebol mundial e que, premia a melhor equipe sul-americana nos últimos dois anos. Agora quem dá bola é o Santos, o Santos é o novo campeão.

Cidades da Copa: NATAL

Faltam menos de três anos para a Copa do Mundo. O país vive um bom momento econômico, mas isso não quer dizer nada com relação a preparação para o maior evento de futebol do planeta em 2014. Cidades como São Paulo e Natal já estão fora da Copa das Confederações, disputada sempre um ano antes do torneio maior, como um evento-teste para a Copa. Só para relembrar são 12 as sedes escolhidas para a Copa do Mundo: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

O ‘Comunicandus’ resolveu verificar há quantas andam as obras das cidades-sede e começaremos hoje por Natal. A seguir, um panorama do que está sendo feito para a capital potiguar receber a Copa do Mundo de 2014.

Natal é a capital do Rio Grande do Norte, estado localizado no nordeste brasileiro, dentre as sedes, é a mais próxima da Europa geograficamente falando. A cidade tem uma população de 774.230 habitantes, números do último Censo. Tem lindas praias e um aeroporto internacional Augusto Severo. Aí começam os problemas. O aeroporto, mesmo pronto para receber vôos do mundo todo, está longe de ter um padrão internacional de qualidade. Precisa de reformas em todos os âmbitos.

Os investimentos para a cidade receber a Copa do Mundo, de acordo com matéria do UOL, gira em torno de R$ 1,7 bilhão. Somente 400 milhões de reais serão gastos na construção da Arena das Dunas, novo estádio para a Copa. De acordo com o planejamento inicial, a iniciativa privada ficará responsável por geri-lo nos próximos 30 anos. As obras estão marcadas para começar dia 30 de junho, mas provavelmente, esse cronograma será quebrado, pois nem a construtora vencedora da licitação, a OAS, liberou a data oficial do início. Mesmo porque, no local da futura arena estão localizados, e serão implodidos, o ginásio Machadinho e a parte superior do estádio Machadão.

Futura Arena das Dunas

A parte cruel com o povo de toda essa história é a seguinte: como o leitor mais atento já pode ter notado pelos noticiários, quase toda obra da Copa será construída com dinheiro público, seja emprestado ou em abonos fiscais. Em Natal não será diferente. Somente na construção do estádio, dos 400 milhões de reais previstos, 300 sairá dos cofres do BNDES via empréstimo e os outros 100 milhões a construtora OAS pagará de próprio bolso. Mas, o governo estadual em contrapartida, pagará R$1,2 bilhão em parcelas fixas pelos próximos 20 anos, a partir da concessão do estádio, pós-Copa do Mundo. Resumindo: dinheiro público pagará 3 vezes o valor do estádio para um evento de 30 dias, que trará muitos turistas, mas não sei até que ponto haverá retorno de tal montante.

Fora os investimentos em infra-estrutura, transporte, saneamento básico e outros mais para que o maior evento de futebol do planeta se torne viável na cidade conhecida como “Capital do Sol”.

Amanhã tem mais. Viva o Brasil! Viva?

“Só Jesus Cristo salva a Copa do Mundo no Brasil”

O título desse texto é uma frase de autoria do agora deputado federal Romário, dita essa semana em entrevista para o jornal Folha de São Paulo: “Só Jesus Cristo salva a Copa do Mundo no Brasil”. A frase, em minha opinião, é forte, pragmática e anuncia um vexame que não está tão distante da nossa realidade. Não é fantasia. O Brasil está correndo o sério risco de passar um vexame no mundial. A menos de três anos para a Copa do Mundo, as obras para a competição estão atrasadas, paradas ou nem mesmo fora do papel em que foram projetadas.

Era um drama há muito anunciado. Infelizmente, devido ao nosso triste histórico da “mão-grandagem política”, sabíamos perfeitamente que a as obras para o mundial teriam em seu bojo problemas intrínsecos à nossa realidade como a sangria dos orçamentos extrapolados, a morosidade burocrática nacional, e a irresponsabilidade de nosso gestores. E quando eu digo gestores, quero dizer de uma forma geral – e não apenas os políticos. Taí o Ricardo Teixeira que não me deixa mentir. O presidente da CBF está com lama até o pescoço – só que dessa vez, com reconhecimento a nível mundial. A sociedade clama por explicações. Mas não há ninguém quem nos responda. Também não há muitas esperanças. Ou será mesmo que uma nova CPI sobre o assunto resultaria em algo além de uma dolorosa pizza?

O governo, lógico, tem grande culpabilidade na pendenga mundialesca. Já faz mais de quatro anos que o Brasil recebeu a notícia de que iria sediar o mundial.

Pois é, já fazem quatro anos desde que recebemos essa notícia...

As ações foram postergadas para depois das eleições – essa mania dos nossos políticos de não correr o risco de deixar de mãos beijadas as realizações próprias para serem inauguradas de pelos adversários. Isso para não falar na discrepância entre os valores previstos inicialmente e o que temos nos dias atuais. Treze meses após a divulgação do orçamento para construção e reforma de estádios, os valores de cinco deles – Mineirão (Belo Horizonte), Fonte Nova (Salvador), Maracanã (Rio), Arena da Amazônia (Manaus) e Cidade da Copa (Recife) – já estão 57,6% mais caros, de acordo com cálculo feito pelo jornal O GLOBO com base em dados originais fornecidos em janeiro de 2010 pelo governo anterior. Saltaram de R$ 2,6 bi para R$ 4,1 bi. Nos casos de cidades como Manaus e Cuiabá, a soma deve aumentar à medida que o prazo para entrega das obras escassearem.

A bola da vez da turma do serrado é o RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas). Para quem não sabe a proposta, já aprovada na Câmara e defendida pala “presidenta” Dilma Rousseff, prevê que o orçamento estipulado para uma determinada obra para o mundial só seria divulgado publicamente após o encerramento da licitação. Durante o processo, apenas os órgãos de controle teriam acesso ao valor máximo que o governo pode pagar naquele contrato. A manobra do Governo teria a intensão de acelerar as licitações das obras e diminuir os custos.

Para imaginarmos a gravidade da propositura, basta dar como exemplo o fato de o presidente do Senado, José Sarney, ter se manifestado contra. Repito: O SARNEY SE POSICIONOU CONTRA A RDC! Das duas uma: ou a coisa é tão feia que faz vergonha até mesmo ao excelentíssimo dono do Maranhão ou não incluíram a parte dele no negócio.

A verdade é que estamos investindo muito em conversa e pouco em ações. A

Um dia elas serão concluídas!

população encontra-se entre a cruz e a espada: ou debatemos para acertar tudo “nos conformes”, com total transparência e lisura – o que em nosso país leva bastante tempo – ou aceitamos as exigências governamentais para a celeridade da máquina pública e deixamos nosso suado dinheiro forrando o interior dos bolsos dos paletós Giorgio Armani’s em Brasília. Aliás, se paramos para fazer esse debate ficamos a ver os dias passar e nada de uma saída para o imbróglio. Com isso, podemos não concluir as obras a tempo (lembre-se que já temos Copa das Confederações em 2013!). Corremos o risco de pagar um mico mundial.

Só a título de sugestão, lembrei-me de pronto de um texto que escavei lá no Blog do cronista esportivo Rica Perrone (link, aqui). A proposta sugerida por ele é simples e, em minha humilde opinião, genial. O texto foi redigido no final do ano passado. Confesso que na época não levei muita fé e considerei a proposta exagerada. Mas agora, vendo que pouca coisa mudou até aqui, agarrei-me a essa sugestão como uma forma de sairmos com classe do problema.

O Rica Perrone propôs uma simples troca. A Espanha quer sediar a Copa no longínquo ano de 2018. Porque antão não trocar com os hispânicos e deixamos para sediarmos o mundial 2018 e deixamos 2014 pra eles? O Rica tem lá suas argumentações:

“E isso não diz respeito a uma troca inconsequente atestando incompetência, mas sim a preservação de um momento especial do nosso futebol (…). Nunca vimos o futebol brasileiro crescer tanto. Dentro e fora de campo. E isso tudo será brecado pelas obras no Maracanã, Mineirão, Beira-Rio, etc. (…). Porque não 2018? Assim os estádios ficariam abertos, as obras aos poucos, sem correria, sem risco de erros, sem prejudicar ninguém”.

Utopia? Eu concordo o Rica. A ideia é radical, mas nos blindaria de duas

Eles estão prontos para receber o mundial se o mesmo fosse realizado amanhã!

celeumas com uma solução apenas. Teríamos mais tempo para terminar o nosso dever de casa, evitando a eminente vergonha de não concluirmos tudo a tempo para o mundial. Além disso, com o tempo extra, podemos debater sobre as normas para as obras para a Copa, com total transparência e lisura, pelo bem de todos e felicidade geral do dinheiro público. Jesus Cristo agradeceria.