Os autistas em Sergipe

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento do ser humano, geralmente notado entre o primeiro e o terceiro ano de vida. O possuidor de tal diferença tem características específicas, como a propensão a ficar só, mas os graus do autismo são diferentes. A causa dessa doença ainda é estudada pelos cientistas, mas atualmente a hipótese mais forte é que seja algo genético, pois células que fazem o transporte de informações ao cérebro não “trabalham” corretamente em quem é autista.

O tratamento para o autismo é feito através de acompanhamento médico, com psicólogos, pediatras, neurologistas, psiquiatras, entre outros, acompanhados de medicamentos para o paciente. Uma das características mais presentes nos autistas é o isolamento das demais pessoas, se fechando num mundo próprio e agressividade em diversos níveis. Infelizmente ainda não há cura para o autismo.

Em Sergipe, o tratamento dado aos autistas está precário. Atualmente, a única instituição dedicada ao tratamento e acolhida de pessoas com esse perfil é a Associação dos Amigos do Autista em Sergipe (AMAS). A entidade cuida de 30 pessoas, entre crianças e adultos, todas portadores do autismo. Mas passa por grandes dificuldades para pagar seus funcionários e se manter aberta. Infelizmente, o poder público não está ajudando de forma alguma. A instituição sobrevive das mensalidades que os pais, aqueles que tem condições, pagam, mas as contas vivem no vermelho.

Só quem tem uma criança especial sabe o quanto é difícil conviver com ela, sem o tratamento, o mínimo de apoio de alguma instituição. Por isso, como futuro jornalista, quero fazer minha parte. Quem tiver interesse em conhecer e ajudar a AMAS deixo logo abaixo os contatos e espero que daqui há um tempo não precise escrever sobre o fechamento da entidade e sim, sobre sua ampliação.

Associação dos Amigos do Autista em Sergipe

Rua Péricles Vieira de Azeevedo, 1812 (próximo à Nossa Escola)

Bairro Coroa do Meio – Aracaju – SE

Telefone: (79) – 3255-2481 ou 8102-6428

Ou pelo meu twitter: @antoniooviedo1

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Respeitem a diversidade

Homofobia ¹preconceito contra homossexuais ²ódio aos homossexuais, muitas vezes levando a violência física. Essa é a definição no dicionário para um dos termos mais utilizado e debatido dos últimos tempos. Parece até que o homossexualismo surgiu nos últimos 40 anos. Tem comprovado que desde a Grécia Antiga, centenas de anos antes de Cristo, havia relações homoafetivas como qualquer outra. Apenas com o advento do Cristianismo é que esse tipo de encontro se tornou quase “criminoso” e aquele que adentra essa relação é tido como pecador.

No último domingo, 26, aconteceu em São Paulo, a décima quinta edição da Parada Gay, com um público recorde de 4 milhões de pessoas na Avenida Paulista. Os detratores da causa gay não entendem que esse evento é parte de toda luta contra o preconceito e serve como um verdadeiro carnaval para a turma GLBT e os simpatizantes. Atitudes como da deputada estadual do RJ e membro da comunidade católica Canção Nova, que disse “não empregar gays, pois imagine um deles ser motorista da família dela e um dia for vestido de mulher para dirigir para seus filhos”, é de um absurdo que não consigo entender. Primeiro: em nenhuma pregação Jesus diz em segregar quem quer que seja, se deve respeitar as diferenças e segundo que, a visão que ela tem dos homossexuais é aquela caricata, vista na Parada Gay, e não é real. Hoje, executivos, artistas, atletas, resumindo, em todas as instituições e instâncias, os homossexuais estão presentes, e não há problema algum nisso.

Acredito que os homossexuais devem ter seus direitos assegurados pelas leis, como casamento civil, direitos previdenciários, como qualquer outra pessoa/casal. Não é admitido no século XXI, que pessoas sofram violência, seja ela física ou psicológica, apenas por ter uma opção sexual diferente. A homofobia deve ser um crime durante castigado pela justiça, assim como toda espécie de preconceito existente na sociedade brasileira. Não é humano, nem muito menos lógico, punir alguém por amar seu semelhante.

 

 

 

 

“Da mihi factum, dabu tibi jus” *

* “Dá-me os fatos, que te darei o direito”

Diversas são as mazelas do judiciário brasileiro. Elas estão aí para quem quiser ver.  Ao ler o texto que o colega de Comunicandus, Antonio Oviêdo, postou sobre o Dudu, jogador do Figueirense que no último fim de semana causou a morte de duas pessoas em um grave acidente de trânsito, parei para raciocinar um pouco sobre a questão. Dudu nunca tirou uma habilitação. Ao ser preso, admitiu ter consumido bebidas alcoólicas. No entanto, mesmo preenchendo todos os requisitos para ficar merecidamente em cana, foi solto após pagamento de fiança. Será indiciado por homicídio culposo (aquele em que não há a intenção de matar), respondendo o processo em liberdade. E o curioso é que o incidente do jogador catarinense aconteceu no mesmo dia em que se comemorou o aniversário do decreto nº 6.488, mais conhecido como a Lei Seca. Que ironia não?

A Lei Seca causou alvoroço no país quando de seu lançamento. Os motoristas acostumados a combinar cerveja e direção começaram a suar frio diante da possibilidade de ir preso por causa das bebedeiras. Finalmente o país parecia acordar ao adotar medidas sérias para o problema, providenciando uma legislação rígida como solução, que incluía severas punições para quem à desrespeitasse. Três anos depois, com esse ilustrativo exemplo, vemos que o decreto nº 6.488 tornou-se mais uma das tantas leis que não agregam valor para a sociedade, tendo pouca serventia no Brasil. Afinal, ao mesmo na teoria, as leis estão aí para serem cumpridas, mas, infelizmente, a maioria não é respeitada. E quando digo maioria, não se trata de descomedimento.

Um dos responsáveis por esse cenário é a excessiva criatividade do legislativo nacional que vive a instituir novas regras. Tudo bem que necessitamos de uma legislação plural, que alcance as diversas situações da nossa sociedade atual, afinal, nemo iudex sine lege (ninguém é juiz sem lei). Mas há um gritante exagero. Segundo o jornal O Globo, entre os anos de 2000 e 2010, o Brasil criou um total de 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e federais, além de decretos federais. Isso dá 6.865 leis por ano, ou 18 delas sendo criadas todos os dias. Desse montante, 68.956 são estaduais e 6.561, federais. A quantia não leva em conta as leis criadas em âmbito municipal – o que faria subir consideravelmente o número.

Esse volume em nada contribui para a aplicabilidade do direito, chegando até mesmo a atrapalhá-lo. A maioria das leis são consideradas inconstitucionais e acaba ocupando os tribunais com o trabalho de descartá-las. Outras, mesmo legítimas, viram letra morta, pois alguns magistrados as desconhecem ou preferem simplesmente ignorá-las. Essa é uma prova de que, também no direito, quantidade não se reflete em qualidade.

Outra celeuma que compõe o cenário jurídico brasileiro é o também excessivo número de processos que tramitam no país. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), houve um crescimento de 647% no número de processos protocolados no STF entre 1980 e 2010. Atualmente, um total de 85 milhões de processos está em tramitação no Brasil. Com tantas ações a justiça fica sobrecarregada e lenta, resultando na famigerada morosidade. A quantidade de juízes não é suficiente para atender a crescente  demanda. Quem pena com isso é, como sempre, a população. Quem nunca viu uma ação emperrar por anos no judiciário nacional não conhece a realidade dos nossos tribunais.

Mas o maior absurdo de todos pode ser encontrado na ausência do simples acesso à justiça. Mais da metade do país não tem acesso a uma Defensoria Pública – instituição obrigatória desde a Constituição de 1988. Esta parece ser outra ironia do nosso judiciário: temos uma lei que nos abriga a dar a população acesso facilitado… às próprias leis! Ou seja, um preceito que é desrespeitado duplamente em apenas uma tacada! Moradores de mais 58% das cidades brasileiras não têm um defensor ao qual recorrer para que sejam acatados os seus direitos. Para essa parcela do Brasil, a justiça simplesmente não existe.

Com tantos problemas, fica difícil exigir eficácia aos nossos magistrados. A nossa justiça precisa adotar, urgentemente, parâmetros de agilidade e de simplificação para que as leis tenham validade. Nessa complexidade toda, o judiciário brasileiro certifica-se como uma instituição do direito inexistente, onde a população vê a legislação mofando entre traças e baratas, sem que os mais básicos dos seus direitos sejam respeitados. Demos os fatos, agora queremos o direito.

A lei falha e a morte agradece

A legislação brasileira é falha. Isso todo mundo sabe. Mas com os legisladores que temos, em sua maioria, teria como ser melhor? Provavelmente não. Mas alguns pontos da lei são mais perturbadores que outros. Os casos de acidente de trânsito com mortos e feridos, causados por imprudência (seja por questão química, física, imperícia) são dos que me deixam mais insatisfeitos com a justiça e as leis do país.

No último domingo, 19, três pessoas morreram num acidente em Florianópolis causados pela junção de imperícia, alta velocidade e álcool. O motorista, o jogador de futebol do Figueirense, Dudu, 31 anos, que nunca tirou a carteira de habilitação, arrebentou seu Hyundai no poste e depois se incendiou. Ele pagou fiança de R$ 2.725,00 e foi liberado e responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Mas como? Ele não tem habilitação, afirmou à Polícia que bebeu 10 garrafas de cerveja e estava em altíssima velocidade em via pública e não há culpa? E ainda é liberado? Não entendo, sinceramente. São muitas lacunas existentes na lei. No meu entender é inadmissível. Qualquer campanha contra a violência no trânsito vai por água abaixo quando se lê uma notícia assim.

Ontem foram completados exatos três anos da Lei seca no trânsito, mas apesar de algumas autuações, estatisticamente, o número de acidentes pouco, ou nada, diminuiu. Irresponsáveis como Dudu, o ex-deputado estadual do Paraná Carli Filho (que matou dois jovens guiando seu carro a 171 km/h) e Elisson Miranda, de Belo Horizonte, preso 3 vezes por dirigir embriagado e causar acidentes e famoso pois na primeira prisão estava de pijama e repetia “bebi, bebi, bebi”, que ontem foi preso novamente e… solto. Com leis assim, muitas mortes ainda acontecerão, ou você, caro leitor, conhece alguém que está preso por algum crime de trânsito?

Forró Business

Ai, ai, ai, que saudades...

 

Estamos na semana do São João. Para os nordestinos, é um período bastante especial, afinal, esta é a principal festa da região. O povo respira a sua cultura, a sua tradição. Mas será mesmo. É difícil falar de tradição nesta festa que, a cada ano, deixa uma legião de puritanos cada vez mais nostálgicos pelos festejos juninos de outrem.

Cresci escutando meu pai cantar as letras de Luiz Gonzaga, ouvindo no som as músicas de Jackson do Pandeiro e do Trio Nordestino. Quando pequeno, mesmo morando na cidade, tive a oportunidade de assar milho na fogueira à porta de casa – regado a muito refrigerante. Não sou tão velho assim. Também não tenho saudades de um período que não vivi. No entanto, tenho a impressão de que as pessoas não valorizam mais as suas raízes, as suas tradições.

Estou convencido de que atualmente vivemos uma espetacularização da tradição nordestina, sendo que o seu principal símbolo, o forró, foi totalmente descaracterizado. As festas cada vez mais grandiosas tomaram espaço e relegaram o tradicionalismo para um segundo plano. Não valorizamos mais o forró tradicional – aquele tocado apenas por uma sanfona, um triangulo e uma zabumba. O bom e velho pé-de-serra perdeu espaço para as guitarras, teclados e baterias que tocam o chamado forró eletrônico – um tipo de “lambada-tecnobrega”. Cantoras, com vestes cada vez mais curtas, arrebatam multidões com letras cada vez mais vazias. Cantar suas tradições, cantar a sua gente, parece ter perdido totalmente o sentido.

Esse movimento de mudança, iniciado no Ceará no início dos anos 1990, contagiou a população de forma irremediável. Criou-se então um mercado a partir dessa demanda. Para as festas atraírem um grande público, é necessário trazer as grandes atrações, compostas em sua totalidade por intérpretes do forro eletrônico. Essas atrações são disputadas por governos e prefeituras, enquanto os artistas locais mendigam por um espaço nessas festas. O resultado é uma verdadeira sangria do dinheiro público. Ironicamente, é cunhado um cenário que contrasta com a desigualdade social que assola o país: enquanto as bandas de fora recebem cachês astronômicos e, diga-se de passagem, antecipados, os artistas locais recebem os menores valores e, as vezes até, sem datas de pagamento. É uma disputa cruel e desigual.

As vezes me pergunto se nos dias de hoje um artista como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, teria seu espaço reconhecido e valorizado entre tantas  Calcinhas Pretas, Garotas Safadas e Aviões. Tenho a triste sensação que não. O For All tornou-se o “Forró Business” e não há nada que possamos fazer.