Uma ótima oportunidade

Hoje, sexta-feira, chega ao fim uma semana agitada no Planalto brasileiro. O escândalo do Ministério dos Transporte parece diminuir lentamente a sua exposição. Nada mais natural. É intrínseco à mídia malhar ao máximo determinado assunto até esquecê-lo totalmente, em geral, por conta da gênese de um novo escândalo, uma nova falcatrua.

Apenas para situar, este escândalo surgiu no início deste mês através de denúncia da revista Veja que apontou irregularidades e superfaturamentos em obras do Ministério dos Transportes.

A presidente Dilma Rousseff pode, de certa forma, colocar a sua cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos, com a sensação de dever cumprido. Ela fez o que mais se espera de um governante digno e cortou o mal pela raiz. Demitiu 15 pessoas evolvidas no caso, entre eles, Alfredo Nascimento, que chefiava a pasta.

Provavelmente, outras duas pessoas ainda serão demitidas: o atual diretor-geral do DNIT, Luiz Antônio Pagot (que só não recebeu as contas ainda por estar de férias), e também o diretor do infraestrutura do órgão, Hilderaldo Caron. Com isso, a presidente Dilma espera ter feito uma limpeza no ministério, varrendo os corruptos para o olho da rua.

Mas a turbulência ocasionada pela repercussão do caso parece estar longe de uma definição. Existe a possibilidade de racha na base aliada por conta da insatisfação do Partido da República (PR). A legenda ficou insatisfeita por ter perdido o ministério, obtido através de uma permuta muito corriqueira em nossa política (dê-me um cargo para que possamos exibir em nossa propaganda partidária que facilitaremos suas propostas no Congresso).

Com a crise, abre-se uma importante oportunidade para a presidente: o de acabar com o loteamento de cargos no governo. Ela teve a coragem de peitar e desagradar um partido da base para, pela primeira vez em sua gestão, indicar um nome através de critérios técnicos. Sabe-se lá há quanto tempo que isso não acontece em nosso governo. Apesar de esta iniciativa prejudicar um pouco a sua “governabilidade”, dará também à presidente Dilma a moral por ter dado o primeiro passo.

Se esse tipo de decisão virar rotina daqui por diante, tenhamos toda certeza, que a presidente sairá mais fortalecida quando chegar à calmaria. É só esperar para crer.

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O Centro precisa de mais atenção

Nesta sexta-feira, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, deverá assinar em Brasília o termo contratual de empréstimo para o repasse de recursos que serão destinados à obras estruturantes na capital sergipana. Ao todo serão U$ 30,2 milhões obtidos em caráter de empréstimo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Vários projetos deverão ser executados, entre eles a restauração do prédio da antiga Alfândega, localizado à Praça General Valadão no Centro de Aracaju. Ou seja, uma ótima notícia para quem freqüenta a localidade.

Construído na metade do século XIX, o prédio hospedou por vários anos a Receita Federal. Desde que o órgão foi transferido para outro local que o prédio ficou abandonado, tornando-se abrigo para marginais. Tapumes de madeira foram colocados há algum tempo, dando sinais de que o antigo edifício seria reformado. Todavia, por anos, nenhuma obra foi feita no local. Os tapumes foram roubados e o prédio entregue a ação dos vândalos. No mês passado, uma moça foi estuprada no local.

Há muito que existe um projeto para transformar o espaço em um Centro Cultural, com a construção de salas de teatro e cinema, cybercafé e espaço para exposição de arte. As obras só não foram iniciadas anteriormente por falta de recursos do Governo Federal. Agora, com a verba obtida através do BID, finalmente os aracajuanos poderão ver o prédio restaurado. Um pouco de alívio. Mas venhamos e convenhamos, o Centro Histórico da capital precisa de mais atenção dos órgãos públicos. Afinal, existem outros prédios que merecem urgentemente de revitalização.

Um exemplo próximo – aliás, bem próximo – é o do Terminal Hidroviário Jackson de Figueiredo. Ele está localizado na Avenida Barão de Rio Branco, bem em frente ao prédio da Alfândega. Ali acontecia, através de balsas, o transporte de pessoas ao município de Barra dos Coqueiros. Com a inauguração da ponte entre as duas cidades, o negócio tornou-se inviável para a empresa responsável, a H. Dantas, que devolveu o prédio ao Governo.

Desde então, o hidroviário ficou praticamente abandonado. Uma reforma foi iniciada para que o local abrigasse a sede do 8º Batalhão de Polícia Militar e do Pelotão Ambiental. Mas, devido a diversos problemas entre as empresas responsáveis e o Governo, a obra parou pela metade. Atualmente, o edifício tornou-se abrigo para marginais que freqüentam o espaço durante o dia e também à noite.

Outra preocupação é o Hotel Palace, também abandonado a um bom tempo. O edifício, construído na década de 60 do século passado, foi durante anos o principal estabelecimento hoteleiro da nossa capital, abrigando importantes personalidades que visitaram Aracaju. Agora, só restou o ostracismo. Apenas as lojas que funcionam em seu térreo ainda resistem à ação do tempo. A estrutura está abalada. A marquise em seu entorno foi demolida por oferecer risco aos transeuntes. O restante do prédio não tem qualquer previsão de revitalização.

O poder público deveria dar mais atenção ao Centro de Aracaju. Não estamos falando prédios quaisquer. São edifícios que representam a história da nossa Capital. Bom exemplo dado pelo Governo foi o Palácio Olímpio Campos, reformado no ano passado e transformado em um importante referencial da preservação da história sergipana. Torçamos para que em um futuro próximo, esta rica história da nossa população ganhe o devido zelo dos nossos governantes.

Mais uma crise?


Estamos vivendo um momento perigoso. Após a crise econômica em 2008, a economia mundial ainda não se recuperou e patina perigosamente. Depois da Grécia, a Itália mostra sinais de enfraquecimento. Nos EUA, caso o presidente Barack Obama não entre em acordo com o seu parlamento, o país poderá dar um calote histórico de suas dívidas.

Esta parece ser uma característica das democracias ocidentais neste início de século XXI. As grandes potências, praticamente todas, estão seriamente endividadas. A gastança desenfreada dos governos abre um sério precedente. Se o dinheiro público salvou a economia mundial na última grande crise, quem salvará o planeta agora se os governos também estão cheios de dívidas?

O arrocho é a palavra de ordem. É preciso atenuar as despesas e tentar elevar a receita, como fez a Grécia e a Itália, cortando a gordura ao diminuir a quantidade de funcionários públicos e aumentando os impostos. No caso da primeira, para receber o capital da UE como ajuda à sua economia e, no da segunda, para evitar um colapso financeiro na zona do Euro. A população desses países não ficou nada satisfeita. Mas este, sem sombra de dúvida, foi um mal necessário.

Este cenário mostra um futuro incerto e tenebroso. Caso estes países não se acertem, uma reação em cadeia seria acionada, afetando mercados ao redor do globo. O FMI já deu o alerta: a crise da dívida soberana da zona do euro ameaça não só a Europa, mas a recuperação global como um todo. O órgão pediu esforços mais “sistemáticos” para restaurar a confiança nos mercados.

Já nos EUA, Barack Obama tem travado uma queda de braço com o congresso. Para evitar uma moratória de suas dívidas, o presidente quer elevar o teto da dívida, que chega a US$ 14,29 trilhões – o que encontra barreiras dos parlamentares. Obama precisa também encontrar um plano adequado para cortar o déficit. Somos um dos maiores credores da dívida americana. Ocupamos a 5ª colocação desse ranking. Somos também o 2º país que mais aumentou o investimento em títulos da dívida norte-americana, perdendo apenas  para a China.

Na convulsão dos mercados financeiros em 2008, o então presidente Lula disse que a crise chegaria no Brasil como uma simples “marolinha”. O barbudinho do ABC tinha razão – o país realmente conseguiu se recuperar facilmente. Mas e agora? Como ficaria a nossa condição caso a situação econômica mundial se agrave?

Em um colapso financeiro mundial podemos dizer que irão todos para a mesma vala. Os mercados atualmente são interligados, de forma que uma incerteza na Ásia causa uma queda na bolsa em qualquer outro país. Um exemplo disse é que após o início do entrave nos Estados Unidos, a Bovespa tem amargado quedas quase que diárias. Mas ainda assim, temos uma ponta de esperança no meio desse turbilhão.

Uma nova ordem parece surgir impulsionada pela consolidação dos BRIC’s (conjunto de países formado pelo Brasil, Rússia, China e Índia). Estamos na crista da onda há algum tempo. Nosso modelo econômico, iniciado com a implantação do Plano Real no governo do falecido ex-presidente Itamar Franco, dominou a inflação e estabilizou o país economicamente. Com o Lula, mais de 30 milhões de brasileiros foram tirados da pobreza. Com mais dinheiro, a população consumiu mais, movendo a máquina econômica do país.

Nossa política econômica é exemplar, sabendo sempre dosar entre o estímulo e a repreensão do consumo. Nossa moeda valoriza-se cada dia mais. A Copa do Mundo e as Olimpíadas, mesmo nos dando tanta dor de cabeça, serão eventos que impulsionarão ainda mais a nossa economia, atraindo investimentos e também a atenção do mundo.

Com este cenário, tenho certeza que o Brasil saberá ultrapassar mais esta tempestade, firmando-se como uma das grandes economias do planeta. Mas nada de relaxar, pois não será um caminho fácil.

Ser Virgem é Sinônimo de Cafonice? Por Marcelo Efron

 

 

 

 

 

 

Pois bem meus caros adolescentes, essa é uma pergunta que faço durante algum tempo. Lembro que quando iniciava minha adolescência, vóinha me contou que, quando ela era mocinha sua mãe dizia “quem tem o seu, guarde a sete chaves”, pois ser virgem naquele tempo era sinônimo de pureza. Mas, parece que nos dias de hoje muitos pensam que ser virgem é algo cafona, ou como os descolados dizem, é super fora de moda.

Porém eu te pergunto, e espero que você me responda no final do texto: Ser virgem nos dias de hoje é algo tão cafona assim?

Sei que para responder essa pergunta, você terá que ser bem maduro(a), pois revelar intimidades e expressar opiniões, é algo que muitos não gostam de fazer, não é verdade? E hoje meus caros leitores, além de falar sobre esse tema polêmico, irei mostrar também que nós homens, temos os mesmos sentimentos e as mesmas dúvidas que vocês mulheres tem sobre a questão da virgindade.

Um pouco da história

Viajando na internet, achei algo interessante sobre a história da virgindade, e confesso, fiquei surpreso. Sabia que esse termo surgiu entre os jovens religiosos dos EUA, durante a década de 90? Seu movimento chamava-se TLW (True Love Waits- O amor verdadeiro espera). O irado é que nesse movimento além dos jovens permanecerem virgens até o seu casamento, eles tinham que anunciar isso aos quatros canto da terra, usando o famoso #ANELDEPUREZA. (Esse mesmo anel que é usado por Hannah Montana e Jonas Brothers). 

Descobri também que em algumas civilizações ser virgem não tem tanto significado assim. Já em culturas passadas, a virgindade conferia as mulheres dons mágicos, como no Oráculo de Delfos, na qual a pitonisa, era quem mediava o contanto entre os deuses e os homens, por ser virgem é claro. Já em nossa sociedade, a virgindade tem um valor social e muito religioso, feito tão somente para conter a atividade sexual da mulher. No Cristianismo, um de seus principais símbolos é a Virgem Maria, que representa para a população, o emblema da castidade e da pureza, alentando assim a imagem da necessidade da preservação da virgindade até o casamento.

Entretanto meus caros, como disse no inicio no texto, ser virgem nos dias de hoje tornou-se para muitos um desafio ou até mesmo uma vergonha alheia. Recordo que antes muitas mulheres sonhavam em encontrar seus príncipes encantados, para casar-se e ter suas devidas relações. Porém sabemos que esse suposto conto de fadas foi rompido. Hoje muitas dessas sonhadoras chegam até ao altar já tendo realizado o ato, ou até mesmo experimentado todos os prazeres do sexo.

Já os homens, ah! os homens, muitos são arrastados para a casa da luz vermelha, por seus pais ou amigos para livrá-los desse fardo tão vergonhoso. Mas eu me pergunto, será que vale a pena perder sua virgindade com alguém que você nem conhece? Só para agradar amigos ou parentes?

Três e uma encanação

“Será que vai doer? Será que ele vai me ligar? Será que eu estou preparada? Sabemos que essas são algumas perguntas feitas por muitas mulheres em relação ao momento tão esperado por elas: a sua primeira vez. Já em relação aos homens, acho que muitas de vocês mulheres devem pensar que nós, somos incentivados a fazer sexo durante 24 horas e não temos encanações sobre esse assunto. ACORDA MINHA QUERIDA! Sabia que também sonhamos com esse momento irado.

Pode até não parecer, mas muitas vezes sofremos muito quando pensamos em nossa primeira vez. Um dos motivos dessa preocupação minha cara jovem, é o fato de que quando chegamos na hora H, aconteça um pequeno deslize, que vocês já devem saber o que é? Para quem não sabe, lá vai à dica: nós homens, odiamos o fato de broxarmos na hora do bem bom.

Outra encanação que temos é ocasionada pela pressão por querer ter um bom desempenho. É serio garotas, tem horas que nem percebemos que para se fazer um bom sexo, temos que conseguir isso através do tempo e é claro da intimidade estabelecida por vocês garotas.

A ansiedade e preocupação, nossa mãe do céu, esse é um dos principais elementos que atrapalham o nosso desempenho. O medo de algo dar errado com a camisinha, a insegurança de que vocês gostaram do sexo e o fato de muitas pensarem que somos PhD no assunto, aumenta e muito nosso psicológico na hora do vamos ver.

Conversas e mais conversas

Para a maioria das pessoas o papo é sempre esse “O quanto mais antes rolar, melhor”. Entretanto às vezes também me pergunto se é certo perder a virgindade antes do casamento, sabe por quê? Vai que você case com uma pessoa que não é aquilo que você esperava? E aí como é que  fica? Veja o que aconteceu com a estudante G.M de 48 anos. “Perdi minha virgindade com 21 anos com o meu primeiro namorado. Chegando aos meus 32 tivemos nosso primeiro filho, e foi aí que nosso casamento acabou. Meu marido teve ciúmes do próprio  filho e disse que me pagava dois salários mínimos para trabalhar, só para deixar meu filho de lado e dar atenção só para ele”, conta.

Entretanto meus caros existem situações que na minha visão é algo super constrangedor, que é o fato da pessoa não ter experiência e ser zuado pelos amigos. Porém para quem tem um pouco de maturidade, por muitas vezes, sabe lidar com essas situações. “Hoje em dia essa questão do sexo está meio que banalizada, e como fui criado na igreja, aprendi que devo me guardar para minha esposa e vice-versa. Não acho que sou diferente dos outros por não ter perdido ainda minha virgindade e também não tenho vergonha de dizer isso para os outros. Acho engraçado que quando as pessoas me perguntam se eu sou virgem, elas tomam um susto, pois encontrar alguém virgem nos dias de hoje, é algo muito raro”, conta o estudante de geologia da UFS de 18 anos MMN.

O hábito faz a experiência

Durante essa semana, entrevistei algumas pessoas sobre o que elas acham das pessoas perderem sua virgindade antes do casamento, e como foram suas experiências. Confesso que gostei tanto do resultado, que vocês irão conferir agora o que essas pessoas disseram:

O Ravi Aynore da série @Gravidos exibida na TV Atalaia contou como foi a sua primeira vez. “Minha primeira vez? Velho, gostaria de lembrar como lembro da minha ultima. Quando eu perdi minha virgindade eu era novo e sexo não fazia muita diferença para mim, mas lembro de ter pensando ‘já que estamos aqui, vamos ver no que dá’. E assim, tudo era inesperado, ao final das contas eu estava ali sentindo coisas que eram super novas, e tipo, nada foi do jeito que eu achei que seria. Depois que acabou vestimos a roupa e fingimos que nada aconteceu. Eu não me arrependo de ter feito, porém foi algo que me acrescentou muito.

A primeira vez que eu fiz sexo eu nutria um sentimento muito forte e legal, e foi sem dúvidas, uma das melhores vezes da minha vida. Nós namorávamos há três meses e já estávamos prontos. Não foi nada mágico, ou extraordinário, mas foi legal e pareceu mais certo sendo feito desse jeito. Houve também vezes em que eu fiz sexo sem sentir nada além de tesão que foram melhores que essa, mas sem dúvidas é mais legal quando se está com alguém que você gosta. E também acho essencial que qualquer pessoa faça sexo antes do casamento, pra não ter que passar a vida toda com alguém que não é bom de cama ou que não te satisfaça sexualmente”, revela.

“Perder a virgindade não é algo como tipo ‘dar uma’, como comumente ouvimos sempre por aí quando um casal faz sexo, ou amor. Deixar de ser virgem é uma decisão, às vezes impensada e às vezes consciente. Independente de tudo é uma nova situação para a vida do homem ou da mulher. Penso que não se perde a virgindade, pelo contrário se ganha. Entendo que a virgindade está dentro na cabeça de cada um de nós, e que não é o rompimento de um órgão, como o hímen, que uma mulher deixa de ser virgem, por exemplo. Deixar de ser virgem, pra mim, é perceber que amadureceu e se sente preparada para se sentir mulher cada vez que o corpo pedir”, conta a  jornalista CSSM de 41 anos.

“Acho que não existe uma idade adequada para perder a virgindade, acredito que a pessoa tem que ter uma boa cabeça, e sentir que realmente chegou sua hora”, conta A.A de 37 anos.

“Ser virgem nos dias de hoje é algo careta, tenho 15 anos e meus amigos mais jovens já perderam. Sinto-me atrasado e curioso”, cita Matheus Maskerano da cidade de São Paulo.

“Perdi minha virgindade com nove anos, nesse tempo eu era bastante fogosa, queria ir para todas as festas, escondido da minha mãe é claro. Hoje namoro com um rapaz de 30 anos e confesso que me sinto arrependida de ter feito isso”, revela N.N de 16 anos.

“Nos tempos em que vivemos acho normal a galera perder sua virgindade, afinal ser virgem é coisa do passado, uma coisa pré-histórica. O negocio é tão bom, que as pessoas estão perdendo sua virgindade antes do casamento”, conta L.N de 33 anos.

E para você, ser virgem nos dia de hoje é algo tão cafona assim?

Pizza a vista!


Eu simplesmente não sei aonde vai para a política do nosso país. Qual e como será o próximo escândalo a estampar os jornais? Já me questionei algumas vezes sobre o assunto. Todavia, mesmo na mais pessimista das previsões, eu não acerto o vexame porvir. A mais nova, é a notícia de que, provavelmente, os acusados pelo mensalão podem sair ilesos de uma das acusações.

Para quem não lembra, o escândalo do mensalão foi aquele descoberto em junho de 2005, onde parlamentares teriam recebido propina para votar a favor de projetos de interesse do governo Lula. Quarenta pessoas foram indiciadas no processo inicial por diversos crimes, entre eles, o de formação de quadrilha.

Agora, os acusados podem se livrar da punição. Isso por que o crime de formação de quadrilha, citado 50 vezes na denúncia do Ministério Público aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pode prescrever no próximo mês de agosto sem o devido julgamento. O crime é visto como uma espécie de “ação central” do esquema, mas desaparecerá sem que nenhum dos mensaleiros tenha sido julgado. A pena prevista para o delito é de 1 a 3 anos de prisão.

O caso é polêmico por conta da sua interpretação. Alguns juristas entendem que o crime prescreve oito anos após ter sido praticado (2003), o que significaria a prescrição no próximo mês. No entendimento do relator, ministro Joaquim Barbosa, esses oito anos só podem ser contados a partir da apresentação da denúncia (2007), o que estenderia o prazo até 2015. Esperamos que haja um bom senso na esfera jurídica para a punição dos acusados. Mas isso é difícil, ainda mais quando o Governo joga no time adversário.

É impressionante perceber o quanto que a cúpula do PT movimenta-se para a impunidade dos acusados. Uma amostra é a indicação de ministros do STF. A escolha dos magistrados tem se norteado pelo julgamento do mensalão desde o mandato de Lula – que, aliás, ao deixar a presidência afirmou que sua principal tarefa a partir de então seria mostrar que o mensalão era “uma farsa”. Em breve a presidente Dilma deverá indicar mais duas pessoas para ocupar cadeiras no STF. A pauta possivelmente estará inserida no processo de escolha dos futuros ministros.

Dos quarenta indiciados pela denúncia inicial do mensalão, quatro foram excluídos das alegações finais do processo – um por já ter falecido, dois por falta de provas e outro por ter fechado acordo com a promotoria. Ao mesmo tempo, os réus mais conhecidos vão, paulatinamente, voltando a ocupar cargos importantes na administração federal. É o caso de José Genoino, que foi nomeado assessor especial Ministério da Defesa e João Paulo Cunha, que está  atualmente na presidência da comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Mas vale lembrar que ainda existem denúncias de outros crimes que prescrevem anos além, como o de evasão de divisas, que caduca apenas em 2019. No entanto, nem todos são acusados por esse delito, o que os livram de uma possível punição. É esse o país que temos, onde pessoas que metem as mãos no dinheiro público gozam de total liberdade e de total impunidade.

 

 

Liberdade para o “Ladrão de Galinha”


Começou hoje a valer em todo o país a lei número 12.403/2011. Mais conhecida como Lei das Cautelares, e que já está sendo apelidada de “Lei da Impunidade”, a medida faz uma “atualização” de vários artigos do Código Processual Penal, mudando radicalmente as regras para a decretação de prisões preventivas. Cadeia, a partir de agora, só em último caso.

Ao se deparar com detenções provisórias por crimes brandos os juízes podem optar por nove tipos diferentes de medidas cautelares além da prisão, como o pagamento de fiança e a proibição de freqüentar determinados locais. A nova regra está causando polêmica e, como não poderia deixar de ser, ajuíza óticas diferentes.

Não há como dizer que não existem vantagens. Haverá um esvaziamento daqueles presos que cometeram crimes mais brandos e que permitem outras formas de punição. Serão beneficiados com a nova lei criminosos que cometerem infrações mais brandas, como o furto. Ou seja, o velho “ladrão de galinhas”, aquele pobre que só está preso por que não tem recursos para contratar um advogado, deverá responder em liberdade.

Com isso, a população carcerária diminuirá  significativamente. Há previsão de que mais de 80 mil presos se beneficie da nova medida em nosso país, desocupando  cadeias Brasil a fora. Em Sergipe, segundo estimativa da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania e da Defensoria Pública do Estado, 60% dos presos, estão incluídos nessa parcela. Com a saída desses presos, haverá diminuição significativa dos gastos, que gira em torno de R$ 1,8 mil reais mensais para cada preso. Este dinheiro, que sai do bolso do contribuinte, poderá ser investido de outra forma. Vai dizer que isso não é bom para a população em geral?

Mas nem tudo é um mar de rosas. A lei também traz contras significativos. O senso de impunidade, que já é grande em nosso, ficará ainda maior com a nova norma. São vários os casos de crimes onde os acusados foram soltos logo após a prisão. Quem se sente seguro ao saber que milhares de presos gozaram de liberdade de uma hora pra outra? Além do mais, tenho certeza, os criminosos não são bobos. A partir de agora, eles terão carta branca para continuar infringindo a lei ao seu bel prazer. Afinal de contas, não haverá prisões – contanto que a infração seja leve. Bom para o criminoso, nada bom para a população.

Só será determinada a detenção quando o crime tiver transitado em julgado ou apenas quando o criminoso representar um risco para a sociedade. Do contrário, o indiciado responderá em liberdade. Acusado de participar da ação que libertou o pai da cadeia, Fábio Ramos Calheiros, filho do empresário Floro Calheiros, é um dos que poderão se beneficiar da lei. Seu advogado de defesa, como conta o texto publicado pelo Jornal do Dia deste domingo,  informou que vai se utilizar da nova regra para solicitar de imediato a liberdade do seu cliente.

Uma das alternativas propostas pela justiça é o monitoramento eletrônico. Os presos utilizariam aquelas tornozeleiras com GPS embutidos para que seja controlado o seu paradeiro. Porém, diversos estados não possuem o equipamento. Sergipe está entre eles. Segundo informações do G1, o Departamento Penitenciário do Estado informou que deverá aguardar a possível demanda para o monitoramento, mas que ainda não existe projeto.

Mas venhamos a convenhamos, existem outros meios a serem pensados para se evitar a superlotação nos presídios. Deveríamos nos preocupar muito mais com a educação, por exemplo. Afinal, se investíssemos mais nela, aí sim, evitaríamos que nossas cadeias estivessem abarrotadas de criminosos.

 

Seremos uma nova Grécia?

A Grécia está quebrada. A dívida do país em proporção ao PIB é de aproximadamente 110%, resultado de anos de muita gastança, má administração, corrupção, clientelismo e pensamento de curto prazo. Para tentar conter a crise, o Parlamento do país aprovou esta semana um Pacote de Austeridade de 78 bilhões de Euros. Esse dinheiro irá faltar na saúde, na previdência, na educação e nos serviços sociais do país.

Confesso que estou preocupado com nossa situação. A Grécia me faz pensar na gente. Sim, só que em um futuro talvez, não muito distante. Temos semelhanças com o país. Vamos sediar os jogos em 2016 e, antes disso, a Copa do Mundo em 2014.  Para mim, é impossível ver a situação grega sem imaginar o quanto que os gastos para realizar os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, ajudaram a cavar o buraco atual. Mas antes que você me pergunte, eu quero deixar claro que as Olímpiadas não foram a causadora “Mor” dessa celeuma. A verdade é que a Grécia gastou mais do que tinha para pagar em todos os sentidos, sendo que os jogos representam apenas 5% da dívida. Assim, em termos de tamanho total, o evento foi apenas uma pequena parte do problema.

Ao que tudo indica, estamos próximos de repetir o roteiro, quando o país mediterrâneo foi escolhido como sede das olimpíadas em 1997. Com atrasos e corrupção, a previsão de orçamento inicial em Atenas foi de US$ 1,5 bi. Com o passar do tempo, essa cifra disparou. Até hoje não se sabem os números exatos, mas existem estimativas em torno dos US$ 12 bi. Podemos dizer que o gasto para realização do evento ilustra a perda de controle das finanças no país. A dívida com os jogos foi inflada por juros sobre juros e tornou-se impagável.

As Olimpíadas forneceram exemplos de ineficiência, má administração e planejamento falho. Houve atrasos nas obras, o que obrigou gastos extras para terminá-las em tempo. E, hoje, várias das instalações construídas para abrigar as competições estão abandonadas. Esse gasto significativo e a má gestão resultaram na crise econômica grega.

Estamos a um passo de viver a mesma realidade. Tal qual os gregos, para realizar os eventos esportivos, estamos afundando em gastos estratosféricos. Nossa estimativa inicial para o orçamento da Copa do Mundo já foi “para as cucuias” de maneira assustadora. Essa semana, recebemos uma notícia desanimadora. Segundo estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal, o custo do evento em 2014 será maior do que a soma do total investido nas últimas três edições da Copa, no Japão, Coreia, Alemanha e África do Sul. Mas a tendência é essa conta fechar muito acima do valor atual, pois até lá, ainda haverá reajustes de orçamentos das obras dos estádios e de infraestrutura urbana e de transporte.

Outra notícia para nos deixar preocupados é que, pressionada pela presidente Dilma, a bancada que apoia o Governo na Câmara Federal aprovou o projeto que cria um regime especial de licitação e contratação para as obras para a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas e Jogos Paraolímpicos de 2016 (mais informações aqui). Segundo esse regime, as contrações para os eventos poderão ser feitas sob total sigilo. Agora, falta apenas o Senado aprovar, afinal, o governo também tem maioria na casa. A decisão pode ocasionar negócios especiais, superfaturamentos e desvios de bilhões de reais se as licitações forem feitas às escuras, sem a devida divulgação e conhecimento público. Dessa forma, ficará difícil evitar o festival de desperdício do dinheiro público.

É triste, mas a verdade é que estamos em um caminho sem volta. Como os gregos, estão tendo que pagar caro por conta dos jogos, ao ver nosso dinheiro jorrando,  poderemos também pagar um valor incalculável para realizar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Torçamos para que isso também não resulte um uma crise econômica verde e amarela.